
Quero muito ver este filme, diz a PREMIERE que:
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Para compreendermos melhor o impacto visual deste filme, convém recordar a adaptação de outra BD de Frank Miller, Sin City, e a técnica CGI criada pelo realizador, Robert Rodriguez. Foram os procedimentos decorrentes desta técnica que permitiram a Sin City adquirir contornos tão semelhantes aos da obra original. Zack Snyder, o realizador de 300, adoptou esta mesma estratégia, e conferiu também a este filme uma terrível lealdade ao livro de Frank Miller. Ao vermos 300, ficamos na dúvida se o mundo em que estes acontecimentos se passam é real, ou surreal. Sabemos apenas que saiu da imaginação de Miller, e que este trouxe uma beleza nunca antes vista, a um cenário de guerra.
O filme vive sobretudo da épica batalha que dá a conhecer, a história de 300 Espartanos liderados pelo Rei Leonidas (Gerard Butler), que enfrentaram o poderoso exército de Xerxes (Rodrigo Santoro), o Imperador Persa que liderava uma ofensiva de um milhão de homens. Curioso que tenhamos chegado até ao século XIX sem que ninguém se tenha lembrado da Teoria da Evolução das Espécies, pois bem antes de Darwin já os Espartanos se preocupavam em seleccionar apenas os mais aptos. Logo no início do filme ficamos a conhecer as técnicas de triagem espartanas, e o porquê dos seus soldados serem exímios na arte da guerra.
Só assim podemos admitir e compreender as memoráveis sequências de combate, irrepreensivelmente coreografadas, e aceitar todos aqueles músculos bem definidos. Cada diálogo do filme serve para alimentar a batalha final, e cada episódio paralelo da Rainha Gorgo (Lena Heady) serve para ganharmos algum fôlego, enquanto a próxima investida persa não chega. Este é um filme que não aspira a ser mais do que um retrato da guerra, e para quem procura uma obra sobre sacrifício humano, violência bruta e sobrevivência, 300 é a escolha ideal. A filosofia não é complexa, e o filme não incita a grande reflexão. Contudo, isso não significa que não seja dada a devida importância aos acontecimentos aqui descritos. Miller afirma ter baseado o seu comic book no filme Os 300 Espartanos (1962), de Ralph Richardson. Certamente que daqui a 40 anos, se um novo relato desta epopeia surgir, veremos que a inspiração dada por este 300 será muito diferente. Para que não restem dúvidas, este é um filme sobre um acontecimento histórico, onde estão presentes questões e valores intemporais. Porém, é um filme do seu tempo e, como tal, sujeito à rejeição de todos aqueles que não partilhem a visão crua e visceral de Miller e Snyder. Eu partilho.
E os senhores deste departamento bem podem esperar uma nomeação para o Oscar.”